Apenas dissecando.
Do Descampado.
Por vezes, penso que escrever para mim é como entrar num quarto secreto e fechado. Somente meu.
Somente a mim, escuta-se.
Por vezes, penso que isto é estúpido e infantil.
Penso, por Pensar que todos os escritores diriam isto num mundo de situações previsíveis.
Enrolados em seus cachecóis de clichês, diriam:
- São fatos que se acomodam de mim antes mesmo que perceba.
Logo depois, Penso em um dia, alguém, poder achar essas palavras de alguma maneira, acertadas. Verão algum dia o Alvo em que elas, as letras, miravam?
Porém, se descobertas em vida, suas infundadas certezas serão banidas da capacidade de serem difundidas, e elas virão morrer numa cova transparente, por onde passam desconhecidos rostos que nem sei.
Como morrer num país estrangeiro e sem nome.
Como um Lado de Lá que chegasse cedo demais.
.
Da Montanha.
Por assim dizer, este, acima relatado, foi meu primeiro pesadelo glorioso de uma tarde que não teve mais fim. Era como se pudesse dormir ininterruptas vezes e acordar como se estivesse num sonho. Assim passei a viver. Num período onde o Sol se confundia com a Lua. Onde minha mente, fundia-se à sua. Ali, onde inventamos um plano para nossa estranha capacidade de respirar. Ali, em uma altitude lapidada às mãos dos artesãos do nosso tempo, pudemos ensaiar, sozinhos, o nosso ato final.
Como se nosso Amor tivesse um real porquê de ser achado.
Sonho, Loucura, ou apenas a realidade?
Dois lados, ou apenas um terceiro?
.
Escrito numa noite dessas que passam.


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