Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Apenas dissecando.

Do Descampado. 

Por vezes, penso que escrever para mim é como entrar num quarto secreto e fechado. Somente meu.

Somente a mim, escuta-se.

Por vezes, penso que isto é estúpido e infantil. 

Penso, por Pensar que todos os escritores diriam isto num mundo de situações previsíveis.

Enrolados em seus cachecóis de clichês, diriam:

- São fatos que se acomodam de mim antes mesmo que perceba. 

Logo depois, Penso em um dia, alguém, poder achar essas palavras de alguma maneira, acertadas. Verão algum dia o Alvo em que elas, as letras, miravam?

Porém, se descobertas em vida, suas infundadas certezas serão banidas da capacidade de serem difundidas, e elas virão morrer numa cova transparente, por onde passam desconhecidos rostos que nem sei. 

Como morrer num país estrangeiro e sem nome. 

Como um Lado de Lá que chegasse cedo demais.

.

Da Montanha. 

Por assim dizer, este, acima relatado, foi meu primeiro pesadelo glorioso de uma tarde que não teve mais fim. Era como se pudesse dormir ininterruptas vezes e acordar como se estivesse num sonho. Assim passei a viver. Num período onde o Sol se confundia com a Lua. Onde minha mente, fundia-se à sua. Ali, onde inventamos um plano para nossa estranha capacidade de respirar. Ali, em uma altitude lapidada às mãos dos artesãos do nosso tempo, pudemos ensaiar, sozinhos, o nosso ato final. 

Como se nosso Amor tivesse um real porquê de ser achado.

Sonho, Loucura, ou apenas a realidade?

Dois lados, ou apenas um terceiro?

.

Escrito numa noite dessas que passam.

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